Conheça Sua Voz – parte 2

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    Conhecer como a voz funciona é tão importante quanto conhecer um instrumento musical. Digo isso porque o cantor É UM INSTRUMENTO musical.

    No capítulo referente à POSTURA vamos observar que o canto não envolve apenas as pregas vocais – envolve o instrumento todo, o cantor.

    Na aula passada afirmamos que a nossa voz reflete a nossa personalidade.

    Ela indica quando estamos tristes, alegres, deprimidos, sonolentos, etc. Ela denuncia como estamos e quem somos. É por essa razão que conhecer a estrutura do nosso sistema vocal e respiratório é de fundamental importância para nós.

    Então vamos continuar com nosso estudo.

    Emissão vocal

    Segundo Mansion, a emissão vocal é o ato de produzir um som, ou seja, por em ação a respiração, o mecanismo dos órgãos da boca e da articulação.

    Canuyt acrescenta que a boa emissão fisiológica é natural, fácil, cômoda e sem esforço, o que em linguagem técnica, se chama cantar com voz livre.

    Pode-se distinguir várias maneiras de emitir os sons. Mansion destaca três modos de emissão bem característicos:

    1)      Emissão branca. Aquela que se obtém com a boca aberta, em sentido vertical ou transversal, sem elevar o véu do paladar, e em que a voz se apresenta branca, isto é, sem colorido e não tem alcance.

    2)      Emissão redonda ou aberta. É produzida com a boca arredondada, elevando o véu do paladar.

    3)      Emissão sombria ou opaca. Semelhante à emissão redonda ou coberta, é conseguida contraindo-se o fundo da garganta.

    Canuyt, entretanto, não separa esses dois últimos tipos de emissão. Rotula-os de emissão sombria, isto é, emissão para dentro, produzida pelo aumento do som devido à ressonância na faringe.

    Para o cantor a voz se mostra redonda, mas para quem ouve não tem alcance.

    Na opinião do professor Canuyt, a emissão sombria é prejudicial às pregas vocais porque exige esforço, sobretudo nos sons mais agudos, e, conseqüentemente, leva à fadiga vocal.

    É, pois, através do exercício da emissão vocal e da prática da técnica vocal que o indivíduo consegue a homogeneidade e faz da própria voz um instrumento sensível e dócil, podendo servir à expressão vocal.

    Registros vocais

    Chama-se registro vocal uma série de tons cantados de certa maneira, produzidos por um certo posicionamento dos órgãos vocais – laringe, língua e palato.

    A voz humana pode possuir mais de um registro e identifica três tipos básicos de registro:

    1)      O registro “voz de peito”. Quando se produzem a tensão transversal e a vibração completa das pregas vocais, com ressonância maior na caixa torácica. Este é o registro vocal mais grave, tanto para a voz feminina quanto para a voz masculina. Neste registro, o som é puro, forte, de vibração completa, porém espesso, denso e seco.

    2)      O registro médio ou “voz mista”. Quando se produz a mescla do som resultante da vibração completa com a elasticidade e clareza do som produzido pela vibração dos bordos das cordas vocais.

    3)      O registro “voz de cabeça” ou falcete. Corresponde preferentemente ao uso da tensão longitudinal (vibração dos bordos das cordas vocais) e da ressonância das cavidades da cabeça (crânio, boca fossas nasais). Neste registro o som torna-se mais claro e delgado.

    Toda voz inclui os três registros (peito, meio e cabeça), mas nem todos são empregados em todo tipo de voz.

    Com exercícios, você notará que o registro da cabeça tem um som distinto de alta qualidade.

    O registro do meio tem um som mais anasalado, mas não muito, e o do peito, um som mais bravo e de qualidade bruta.

    É muito comum experimentar uma mudança abrupta ou quebra na voz quando se move de um registro para outro.

    A região onde há troca de registros, isto é, troca de predomínios musculares, é denominada zona de passagem (transição de registros). A combinação e mistura de registros podem ser aprendidas e através do habilidoso ensinamento do professor e do talento e da aplicação do aluno, os órgãos devem habituar-se a assumir posições tais que um registro leve imperceptivelmente a outro.

    De certa forma, dois deles são encontrados com freqüência em principiantes, nos quais o terceiro é geralmente muito mais fraco ou simplesmente não existe. É muito raro encontrar uma voz naturalmente equalizada em toda a sua extensão.

    Os registros não existem por natureza. Pode-se dizer que são criados através de muitos anos de uso da fala no diapasão, que é mais fácil a cada pessoa, ou no diapasão por imitação e que, mais tarde, torna-se um hábito.

    Se os músculos são empregados erradamente, ao falar toda a voz pode ter um som desagradável. Portanto, em qualquer voz, um ou outro registro pode ser mais forte ou mais fraco.

    As pessoas falam e cantam no timbre que lhes é mais fácil e mais habitual, sem pensar na correta posição dos órgãos em relação uns aos outros; depois de crescidas, raramente são advertidas no sentido de falarem com clareza e em tom agradável.

    Trato vocal

    É delimitado anteriormente por lábios e narinas e posteriormente pelas pregas vocais. Inclui:

    • Cavidade nasal – Constituída por septo nasal, que separa as duas narinas; conchas e cornetos, responsáveis pelo aquecimento, umidificação e filtragem do ar.
    • Região de Rinofaringe (nasofaringe ou cavum) – Constituída por torus tubarius (cartilagem), trompa de Eustáquio (controla a pressão aérea dentro do ouvido médio) e tonsila faríngea (adenóide).
    • Cavidade oral – Constituída por lábios, língua, dentes e palato mole (véu palatino) e palato duro.
    • Região de Orafaringe – Constituída de tonsilas palatinas (amígdalas), pilares anterior (músculo palatoglosso) e posterior (músculo palatofaríngeo), tonsilas linguais, valéculas, seios piriformes e faringe.
    • Laringe – Constituída por: osso hióide, membrana tireóidea, epiglote (cartilagem com inserção na língua, laringe e faringe) pregas ventriculares (ou pregas vestibulares, bandas ou falsas cordas vocais), pregas ariepiglóticas, ventrículos de Morgagni, cartilagens (tireóide, cricóide, aritenóides, cuneiformes e corniculadas) e pregas vocais.

    Vibrato

    Vibrato é a leve, rápida e regular variação da afinação que adicionada ao cântico torna a voz mais expressiva.

    Ele adiciona à voz um som polido e profissional. É algo que deve ser desenvolvido em um ambiente adequado, de preferência quieto, onde você pode ouvir sua voz com clareza.

    Um bom vibrato é suportado pelo diafragma e uma respiração apropriada ajuda muito.

    Você deve ser capaz de diminuir, apressar, suprimir ou adicionar vibrato no final dos tons. Basta relembrar que as cordas vocais são quatro (duas verdadeira, inferiores, e duas falsas, superiores) e que as cordas vocais inferiores se unem na cartilagem tireóidea (pomo de Adão) e realizam seus movimentos através do deslocamento de sua parte posterior, que vai à cartilagem aritenóide, de cada lado.

    Teorias da Vibração das Cordas Vocais

    Existem várias teorias sobre a vibração das cordas vocais. Não vamos aprofundar nesse assunto, mas vamos fazer menção das principais. Elas são:

    • A teoria Mioelástica (a tradicional) 
    • A teoria Neurocronáxica de Husson (a vibração das cordas vocais provém de influxos nervosos, que partindo do sistema nervoso central, através do nervo recorrente, provoca a movimentação das mesmas)
    • A teoria Muco-ondulatória de Perello.

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