Expressão e Interpretação

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    A expressão é de fundamental importância no canto, pois ela não só ajuda na comunicação como também na afinação (elementos importante na interpretação). Ela pode ser aprendida através de exercícios como também é fruto daquilo que nós vivemos e amamos.

    Ao cantar uma música devemos nos preocupar com o que ela está ensinando ou querendo dizer.

    É estranho ver alguém com as mãos no bolso cantando “levanto a minhas mãos pra Te adorar Senhor”, ou, então, ver alguém de braços cruzados cantando “nEle vivemos, andamos e nos movemos”.

    Por que isso acontece? A razão é que muitos de nós cantamos e nos envolvemos na música e não prestamos atenção nas palavras que estão saindo em forma de canção.

    Se quando cantamos fazemo-lo com todo o nosso ser, atingiremos todo o ser daqueles que nos ouvem. 

    Quando alguém de fato crê na mensagem que prega ou canta e a sente profundamente, isso se torna logo evidente. Ele usará gestos adequados.

    Todos os livros sobre oratória falam sobre uma boa gesticulação, mas não há ninguém nesse mundo, nem mesmo a maior autoridade no assunto, que possa ensinar-nos e expressão ideal do que os gestos que usamos naturalmente, bem à vontade, quando realmente sentimos aquilo que estamos dizendo. 

    Se não sentirmos nada significativo, todos os gestos que fizermos só servirão para tornar nosso desempenho mais artificial. Tudo não passará de fachada, e aqueles que nos ouvem o perceberão claramente.

    Outra atitude que teremos também, se sentirmos profundamente a mensagem que transmitimos, será sorrir vez por outra. É que sabemos que a vida é curta demais, e é melhor aprecia-la a fundo.

    Infelizmente, quando alguns de nós chegarmos ao céu, Deus irá dizer-nos: “Que pena que você não apreciou um pouco mais a vida! Minha intenção não era que ela fosse assim tão melancólica!”

    Falando ou atuando em público

    Sempre nos sentimos muito à vontade para falar no nosso dia-a-dia, seja entre amigos, em casa, no trabalho, ou escola.

    A nossa fala, neste caso, é informal. Mas no primeiro momento que temos que tomar a palavra de um modo mais formal a situação muda: o receio toma conta de nós e traz conseqüências nefastas.

    O medo de enfrentar o público ou de estar frente a frete com ele é terrível. Mas, console-se: ele não toma conta apenas das pessoas inexperientes.

    Cantores, atores, oradores experimentados também sofrem com o medo, porém sabem controlar-se ou pelo menos não demonstram que o temem.

    A chave da questão está aí: o profissional da voz sabe que o medo existe, mas ele é consciente que deve se concentrar para controla-lo e domina-lo.

    Aquele certo mal-estar que nos invade quando estamos diante do público e que nos provoca tremor, dor de barriga, secura e amargor na boca, etc, é um “mal necessário”.

    Artistas famosos dizem que suas melhores performances são aquelas em que o mal-estar é maior nos momentos que antecedem a apresentação.

    Segundo Edmée Brandi de Souza Mello “… esse medo faz parte do jogo… é até fonte das grandes “performances”, pois a adrenalina que, em conseqüência, as supra-renais descarregam no sangue, proporciona mais energia, mais vitalidade…”

    Algumas sugestões para falar em público:

    • encare o medo como coisa normal;
    • pratique o relaxamento, principalmente enquanto você espera para falar. Exercícios respiratórios são fundamentais para o relaxamento. Faça-os em posição sentada ou caminhando calmamente. Evite andar de um lado para outro, nervosamente. Relaxe a mandíbula; boceje bastante. Lembre-se: relaxe a tensão, mas mantenha a energia;
    • não cultive atitudes negativas, como: considerar o público seu inimigo ou que ele é hostil a você; ou ficar pensando que você não vai dar conta do recado. Evite atitudes como cruzar os braços, roer unhas, etc, coisas que só aumentam seu nervosismo. Procure ocupar sua mente com pensamentos positivos, vitoriosos; imagine cenas tranqüilizantes e repousantes. Se tiver tempo antes de falar, observe o público, não com olhar inseguro ou desanimado, mas interessado e em espírito de oração;
    • chegar adiantado ao local é adequado; você se ambienta e se sente mais à vontade;
    • evite ficar estudando, revendo notas ou lembrando até o último minuto aquilo que já foi memorizado, preparado e ensaiado;
    • prepare-se bem: saiba o que você vai falar e porque vai falar. É aconselhável que saiba de cor o início e o final de sua fala, que tenha um roteiro do desenvolvimento (no caso de palestras) e tudo quanto o texto e a atuação exigirem. Nas falas improvisadas, pense primeiro no que falar, respire entre uma frase e outra. Não procure falar “difícil” para impressionar, mas use seu vocabulário simples, primando para que esteja correto. Seja breve. Não deixe que sua fala seja arrastada, monótona: demonstre vigor e entusiasmo. Evite, também, falar atropeladamente, muito depressa e até o fim do fôlego. Chame sempre a voz com a respiração;
    • procure agir com naturalidade, como se estivesse numa situação informal; procure ser verdadeiro, autêntico, simpático;
    • evite tossir e pigarrear. É desagradável e prejudicial à voz;
    • encare o auditório; evite fixar o olhar apenas em um ponto ou em algumas poucas pessoas. Todos querem ser notados pelo orador e merecer sua atenção. Se algumas pessoas lhe parecem hostis, tente conquista-las com seu olhar firme, mas gentil, e com sua palavra firme e segura;
    • lembre-se: quanto mais experiência se tem ou quanto mais estudado estiver o assunto, mais à vontade você estará. A prática proporciona o reflexo, a despreocupação.

    Uso do Microfone

    Muitos se sentem inibidos ao usar o microfone pela primeira vez, principalmente quando vão falar ou cantar sozinhos.
    É estranho quando ouvimos nossa própria voz se espalhando em grande volume num auditório enquanto falamos calmamente.
    Esse é o momento onde muitos afastam o microfone de perto da boca e ninguém os ouve bem; isso quando não começam a tremer.

    Esta é uma experiência onde, quem canta ou discursa, terá que experimentar um dia.

    Abaixo estão algumas dicas que nos ajudarão a enfrentar essa situação com segurança e tirarão as “manias” que muitos de nós temos.

    • Quando utilizar este recurso você deve ter o cuidado de se manter a uma distância de 5 a 10cm dos microfones de baixa pedância (potencial de captação das ondas sonoras). Se o microfone for de alta pedância, fale a uma distância de 15 a 20 cm.
    • Antes da apresentação teste o seu microfone. Faça os ajustes necessários para assegurar um bom timbre e volume da voz.
    • Se o microfone for fixo diminua a quantidade de gestos que o afastem dele, ao passo que, se o microfone for móvel, cuide para não falar sem que ele esteja próximo de seus lábios.
    • Não esconda o rosto ou a boca com o microfone. As pessoas precisam ver sua expressão.
    • Se está tocando e cantando, ajuste o pedestal para que não seja preciso esticar o pescoço o que estrangula a voz.

    Ao usar microfones mais modernos, os chamados “lapela” ou os “auricular”, tenha o cuidado de não cochichar com alguém, dado que eles são de baixa pedância; se estiver ligado no momento, é melhor abafá-lo com as mãos (microfone de lapela) ou desviá-lo dos lábios (microfone auricular).

     


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